Reunião pública na Alesc debate expansão dos sistemas agroflorestais em Santa Catarina

Representantes do poder público, especialistas em meio ambiente e produtores rurais participaram, na manhã desta quinta-feira (11), de uma reunião na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) para discutir os desafios e oportunidades relacionados à expansão dos sistemas agroflorestais (SAFs) no estado.

O encontro, promovido pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, teve como foco a construção de soluções para questões ligadas à implementação, ao licenciamento ambiental, à fiscalização e ao desenvolvimento desse modelo produtivo, que combina árvores nativas, cultivos agrícolas e criação de animais em uma mesma área.

Presidente da comissão, o deputado estadual Marquito destacou a importância do diálogo entre os diversos setores envolvidos para avançar na criação de regras mais claras para a atividade. Segundo ele, a intenção é reunir contribuições que permitam estabelecer uma regulamentação capaz de oferecer maior segurança jurídica aos produtores que trabalham com manejo florestal.

Durante as discussões, os participantes ressaltaram o potencial dos sistemas agroflorestais para a realidade catarinense, especialmente entre agricultores familiares. O modelo foi apontado como uma alternativa que alia geração de renda, diversificação da produção e preservação ambiental, promovendo o uso sustentável dos recursos naturais.

Apesar das vantagens, um dos principais obstáculos identificados para a expansão dos SAFs é a ausência de uma regulamentação específica em Santa Catarina, principalmente no que se refere ao manejo de espécies nativas da Mata Atlântica. A falta de normas claras, segundo os debatedores, gera insegurança e dificulta a adoção do sistema por um número maior de produtores.

O professor Namastê Messerschmidt, referência nacional na área, afirmou que produtores frequentemente enfrentam dificuldades para obter licenças e autorizações ambientais necessárias para o manejo de árvores nativas. De acordo com ele, a burocracia e os custos envolvidos acabam incentivando o plantio de espécies exóticas, mesmo quando as espécies nativas apresentam melhor adaptação às condições ambientais locais.

Ao final da reunião, foi reforçada a necessidade de ampliar o diálogo entre órgãos ambientais, setor produtivo e Poder Legislativo para construir mecanismos que incentivem a adoção dos sistemas agroflorestais, conciliando conservação ambiental, produção agrícola e desenvolvimento sustentável no estado.

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